O faturamento da indústria de transformação no Brasil encerrou o ano de 2025 com uma estagnação, registrando um crescimento de apenas 0,1% em comparação com o ano anterior. Os dados, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), refletem uma desaceleração significativa da atividade econômica, especialmente no segundo semestre.

Após um início de ano promissor, com o faturamento acumulando alta de 5,7% até junho, o cenário mudou drasticamente nos meses seguintes. A queda de 1,2% observada em dezembro marcou o quarto recuo mensal consecutivo, revertendo o desempenho positivo acumulado. Esse declínio interrompeu uma trajetória de crescimento que havia iniciado em 2024, quando a indústria registrou sua maior alta em 14 anos, com um avanço de 6,2% no faturamento.

Outros indicadores importantes, como as horas trabalhadas na produção e a utilização da capacidade instalada (UCI), também sinalizam uma perda de força. Em dezembro, as horas trabalhadas caíram 1% em relação a novembro, apesar de terem fechado 2025 com uma alta anual de 0,8%. A UCI, por sua vez, recuou 0,4 ponto percentual no mês, atingindo 76,8%, e apresentou uma média anual 1,2 ponto inferior à de 2024.

A CNI atribui o enfraquecimento do setor industrial principalmente ao elevado patamar das taxas de juros. Segundo Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, o crédito mais caro desestimula tanto empresários quanto consumidores, reduzindo o ritmo da atividade econômica. A situação é agravada pela forte entrada de produtos importados, que competem no mercado interno, especialmente bens de consumo.

No mercado de trabalho, o emprego na indústria apresentou uma leve retração de 0,2% em dezembro na comparação mensal, sendo o quarto recuo consecutivo. Contudo, o saldo anual de emprego no setor permaneceu positivo, com um crescimento de 1,6% em relação a 2024. Por outro lado, a massa salarial real registrou uma queda de 0,3% em dezembro e um acumulado de redução de 2,1% no ano. O rendimento médio real, embora praticamente estável em dezembro (+0,2%), encerrou 2025 com uma perda de 3,6% em relação ao ano anterior.