A paralisação dos petroleiros, que completou nove dias nesta terça-feira (23), atingiu um ponto de inflexão marcado por uma profunda divisão interna entre as principais entidades representativas da categoria. Enquanto uma federação sinaliza o fim da mobilização após aceitar a contraproposta da Petrobras, a outra insiste na continuidade da greve, classificando as concessões da estatal como insuficientes.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa a maior parte da categoria com cerca de 105,4 mil trabalhadores em 14 sindicatos, comunicou que seu conselho deliberativo aprovou o indicativo de aceitação da proposta revisada da Petrobras e a consequente suspensão do movimento grevista.
A FUP defende que a greve garantiu avanços substanciais no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Entre os pontos cruciais listados estão a garantia de que não haverá punições aos participantes da greve, o pagamento de um abono de 50% dos dias parados e a opção por banco de horas ou desconto sem reflexos dos demais dias. A federação também destacou reajustes em benefícios como vales alimentação e refeição, além de melhorias no plano de saúde.
O aceite da FUP está sendo referendado por meio de assembleias sindicais em curso. Um exemplo dessa tendência ocorreu na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, onde os petroleiros aprovaram a suspensão da paralisação com 89% dos votos.
Em sentido oposto, a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que congrega quatro sindicatos e 26 mil funcionários, decidiu manter a mobilização. Em sessão plenária realizada na tarde de terça-feira, a FNP rejeitou a proposta da Petrobras, considerando-a abaixo das expectativas. O secretário-geral da FNP, Eduardo Henrique Soares da Costa, reforçou a posição da entidade, declarando que a greve continua forte e que uma nova assembleia será realizada após o dia 26.
A mobilização, que atingiu nove refinarias, 28 plataformas marítimas e diversos terminais operacionais, foi deflagrada por reivindicações que incluíam melhorias no plano de cargos e salários, a busca por uma solução definitiva para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros (fundo de pensão) e a defesa da pauta “Brasil Soberano”, que visa o fortalecimento da estatal como empresa pública.
A Petrobras, por sua vez, confirmou o envio de ajustes na proposta de ACT no domingo, buscando o entendimento e o fim do movimento. A estatal ressaltou, em nota, que mobilizou equipes de contingência e que a paralisação não causou impacto na produção ou no abastecimento do mercado nacional, reiterando seu compromisso com o diálogo contínuo com as entidades sindicais.


