A expectativa do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi ajustada para cima. A nova projeção para este ano é de 5,11%, um leve aumento em relação à estimativa anterior de 5,09%. Este dado consta no Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central (BC) que compila as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
A elevação na previsão do IPCA ocorre pela décima terceira semana consecutiva, impulsionada, em parte, pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que afetam diretamente o preço dos combustíveis e, por consequência, a inflação geral. Essa trajetória já ultrapassa o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%.
Para os próximos anos, as projeções indicam uma desaceleração gradual. Em 2027, a expectativa de inflação passou de 4,02% para 4,03%. As estimativas para 2028 e 2029 são de 3,65% e 3,5%, respectivamente, mostrando uma tendência de convergência para níveis mais baixos.
No cenário de juros, a taxa básica Selic permanece em 14,5% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Recentemente, o Copom promoveu um corte de 0,25 ponto percentual, mas a instabilidade global e seus reflexos nos preços, especialmente de combustíveis e alimentos, geram cautela. O Banco Central monitora de perto o conflito no Oriente Médio e seus potenciais impactos inflacionários, sem antecipar os próximos passos da política monetária.
A estimativa para a taxa Selic ao final de 2026 foi elevada de 13,25% para 13,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção é de redução para 11,5% e 10% ao ano, respectivamente, com a taxa permanecendo em 10% em 2029. A Selic alta tem o objetivo de conter a demanda e controlar a inflação, mas encarece o crédito e pode desacelerar a economia.
Quanto ao crescimento econômico, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024 foi levemente ajustada para cima, saindo de 1,9% para 1,91%. As projeções para 2027, 2028 e 2029 indicam uma expansão de 1,7% e 2% ao ano, respectivamente. Dados recentes do IBGE mostram uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre de 2026, com crescimento acumulado de 2% em 12 meses, e um avanço de 2,3% em 2025.
A cotação do dólar para o final de 2024 está projetada em R$ 5,15, com expectativa de leve alta para R$ 5,20 ao final de 2027, segundo o Boletim Focus.


