Uma pesquisa recente da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que a maioria dos brasileiros deseja o fim da escala de trabalho 6×1, desde que os salários sejam mantidos. O levantamento, realizado em todas as 27 unidades da federação com 2.021 pessoas com mais de 16 anos, indica que 84% dos entrevistados apoiam que os trabalhadores tenham, no mínimo, dois dias de descanso por semana.
Especificamente sobre a jornada 6×1, 73% dos consultados se manifestaram a favor de seu encerramento, condicionando a decisão à não redução salarial. Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, informou que 62% dos participantes da pesquisa têm conhecimento de que a proposta de acabar com essa escala está em discussão no governo federal e no Congresso Nacional. No entanto, 35% dos entrevistados nunca ouviram falar sobre o assunto.
Quando questionados de forma genérica sobre o fim da escala 6×1, 63% se mostraram favoráveis. Ao serem informados sobre a possibilidade de redução salarial, 30% mantiveram o apoio, enfatizando a importância de não haver cortes nos ganhos. Dos que eram contrários ao fim da jornada, 10% afirmaram que mudariam de opinião se o salário não fosse afetado.
A pesquisa também detalha que, com a perspectiva de redução salarial, o apoio ao fim da escala 6×1 cai para 28%. Cerca de 40% só apoiariam a mudança se a remuneração fosse garantida. Tokarski avalia que a principal divergência no Congresso girará em torno da redução da jornada de trabalho com ou sem diminuição salarial, ressaltando que a maioria da população deseja mais dias de folga, mas não à custa de um salário menor.
O estudo também evidenciou uma correlação entre o voto em Luiz Inácio Lula da Silva e o apoio ao fim da escala 6×1. Entre os eleitores do presidente, 71% são favoráveis à proposta, enquanto entre os que votaram em Jair Bolsonaro, 53% expressaram o mesmo apoio.
A proposta de fim da jornada 6×1 tramita como PEC 148/2015 e, após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, ainda necessita de votações em plenário no Senado e na Câmara. A implementação, caso aprovada, seria gradual, com aumento do número de descansos semanais e possível redução da jornada máxima de trabalho para 36 horas semanais a partir de 2031.


