A escalada das tensões no Oriente Médio provocou forte reação nos mercados financeiros globais nesta terça-feira (3). O dólar comercial registrou alta de 1,87%, fechando a R$ 5,261, seu maior patamar desde 26 de janeiro. Simultaneamente, a Bolsa de Valores brasileira, representada pelo Ibovespa, sofreu seu maior recuo do ano, perdendo 3,27% e encerrando o pregão aos 183.104 pontos.
O receio de um conflito mais amplo na região, com envolvimento de potências como Estados Unidos e Irã, além de reflexos em países vizinhos como Líbano e nações do Golfo, levou investidores a buscarem ativos considerados mais seguros, como a moeda americana. A cotação do dólar chegou a atingir R$ 5,34 durante o dia, refletindo a aversão ao risco.
No mercado acionário, o pessimismo foi generalizado. O Ibovespa atingiu a mínima de 180.518 pontos, um nível não visto desde o início de fevereiro. A queda expressiva ocorreu em um contexto de instabilidade global, onde bolsas asiáticas, europeias e americanas também registraram perdas significativas.
A instabilidade geopolítica ganhou contornos mais preocupantes com o anúncio do Irã sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial. Adicionalmente, a suspensão da produção de gás natural liquefeito pelo Catar intensificou temores sobre o desabastecimento energético global, levando a um aumento expressivo nos preços do petróleo Brent e do gás natural na Europa.
O cenário de incerteza econômica global, agravado pela possibilidade de interrupção no fornecimento de energia, aumenta as preocupações com a inflação e a desaceleração econômica mundial. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas fortes, também apresentou valorização.
Em relação ao cenário doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025, embora tenha apresentado desaceleração no último trimestre do ano. A expectativa é que o Banco Central possa reduzir a taxa Selic em menor magnitude na próxima reunião, diante do cenário externo adverso, o que impacta as projeções de crescimento econômico.


