Ao estudar desafios e potencialidades da astronomia cultural em escolas ribeirinhas no sul do Amazonas, Kaleb Alho buscou entender como os povos amazônicos observam, interpretam e utilizam o céu no cotidiano

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O professor Kaleb Ribeiro Alho, docente da área de ensino de física do Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (ISB/Ufam), foi agraciado pelo International Astronomical Union Prize Award 2025, evento promovido pela União Astronômica Internacional (IAU), em reconhecimento por sua pesquisa de doutorado. O prêmio de melhor tese foi para a pesquisa “Interculturalidade no Ensino de Ciências Físicas: desafios e potencialidades da Astronomia Cultural em Escolas Ribeirinhas Amazônicas”.

Natural de Novo Aripuanã, Kaleb Alho frisa a importância da universidade pública como espaço de desenvolvimento do conhecimento e que os resultados das pesquisas devem sempre estar a serviço da população. No caso da investigação de doutorado, desenvolvida sob a orientação do professor Alan Brito junto ao Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o enfoque são as populações amazônicas e as relações cotidianas que os ribeirinhos têm cultivado ancestralmente com o céu.

“Minha pesquisa de doutorado nasceu do desejo de aproximar a ciência dos saberes das comunidades amazônicas. Ao longo do trabalho, investiguei como os povos ribeirinhos do sul do Amazonas observam, interpretam e utilizam o céu em seu cotidiano, evidenciando que esses conhecimentos fazem parte de um rico patrimônio cultural construído ao longo de gerações”, explica o pesquisador homenageado pela entidade internacional de Astronomia.

A entidade que concedeu a premiação é a principal organização a congregar pesquisadores de todo o mundo no campo dos estudos astronômicos. Além do reconhecimento pela pesquisa, o professor Kaleb foi convidado a participar da Assembleia Geral da IAU, em 2027, em Roma, Itália. “Mais do que um prêmio individual, considero esta conquista um reconhecimento aos povos ribeirinhos, que por muito tempo tiveram seus conhecimentos invisibilizados e que agora também são reconhecidos como detentores de conhecimentos astronômicos”, comemora.

In loco

A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma vivência de cerca de três meses em comunidades ribeirinhas dos rios Madeira e Aripuanã, onde realizou atividades de observação do céu e interagiu com moradores e professores locais. Uma das vertentes de seu trabalho tratou de investigar de que maneira os conhecimentos de povos e comunidades tradicionais podem ser incorporados às práticas pedagógicas nas escolas rurais, como forma de “valorizar a realidade e a identidade cultural dos estudantes da Amazônia”, comenta o docente. 

“Um dos principais resultados da pesquisa foi demonstrar, com base em evidências científicas, que os povos ribeirinhos são detentores de conhecimentos astronômicos próprios, produzidos a partir de séculos de observação do céu e profundamente relacionados aos ciclos da natureza, das águas e da floresta”, conclui o pesquisador.

Perspectivas

Atuando como professor de Física do ISB, Kaleb Alho pretende seguir com trabalhos em torno da linha de pesquisa sobre Astronomia Cultural, tomando por base a localização estratégica do instituto e a possibilidade de desenvolver ações de divulgação científica e consolidar novas parcerias nacionais e internacionais.

Além do reconhecimento internacional, essa pesquisa já recebeu o Prêmio José Leite Lopes, concedido pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) como a melhor tese de doutorado na área de Ensino de Física do país e atualmente concorre ao Prêmio Capes de Tese, uma das mais importantes distinções da pós-graduação brasileira e tradicionalmente promovida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Texto original e imagens: Comissão de Comunicação ISB/Ufam