A Copa do Mundo de 2026, evento tradicionalmente celebrado como um ponto de encontro global, tem sido palco de controvérsias que transcendem as quatro linhas do campo. As políticas internas e externas dos Estados Unidos, um dos países-sede, emergiram como fatores de tensão, impactando delegações, torcedores e a própria organização do torneio.
No âmbito internacional, a guerra declarada pelos EUA contra o Irã, nação participante da competição, gerou obstáculos significativos para a delegação iraniana. Relatos indicam que a equipe enfrentou dificuldades para obter vistos e até mesmo para pernoitar em território americano, com a base da seleção tendo que ser transferida para o México.
Internamente, a política migratória dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, tem sido um ponto de atrito. Delegações, fãs e árbitros foram submetidos a rigorosos processos de imigração, gerando atrasos e incertezas. A Fifa, atuando como mediadora, buscou negociar flexibilizações com as autoridades americanas, mas as barreiras migratórias persistiram, afetando a experiência de muitos envolvidos com o evento.
A delegação iraniana, em particular, vivenciou uma série de contratempos. Jogadores tiveram a obtenção de vistos postergada para o último momento, e membros da comissão técnica e dirigentes enfrentaram dificuldades para chegar a tempo da preparação. A proibição inicial de hospedagem no Arizona e a restrição de pernoite nos EUA adicionaram mais um capítulo às dificuldades enfrentadas pela equipe.
Torcedores iranianos também relataram o cancelamento de ingressos às vésperas do mundial, adicionando uma camada de frustração à participação no evento.
Outro incidente notável envolveu o jogador iraquiano Aymen Hussein, retido e interrogado na imigração em Chicago. Seu celular foi inspecionado antes de ser liberado para entrar no país. O fotógrafo da equipe iraquiana, Talal Salah, também foi impedido de entrar nos EUA após horas de retenção.
A arbitragem também foi afetada. Omar Abdulkadir Artan, árbitro somali que seria o primeiro de seu país a atuar em uma Copa do Mundo, foi considerado “inadmissível” pelas autoridades americanas em Miami, sob o argumento de “preocupações com a verificação de antecedentes”, apesar de possuir visto e credenciamento da Fifa. A entidade máxima do futebol lamentou o ocorrido, ressaltando sua falta de controle sobre decisões de imigração.
Além das questões migratórias e políticas, o alto custo dos ingressos tem sido outro ponto de polêmica. A Copa do Mundo de 2026 é apontada como uma das mais caras da história, com preços que variam significativamente entre as fases do torneio. Ingressos para a final podem chegar a US$ 7,8 mil, um aumento considerável em relação à edição de 2022 no Catar. Os bilhetes mais acessíveis, para a fase de grupos, foram vendidos em quantidade limitada, elevando o custo médio para os torcedores.


