A China voltou ao topo da corrida mundial da supercomputação ao recuperar, pela primeira vez desde 2017, o título de supercomputador mais rápido do planeta. A conquista foi confirmada na edição de junho de 2026 da tradicional lista TOP500, principal ranking internacional do setor.
O novo líder é o LineShine, instalado no Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen. O equipamento alcançou desempenho de 2.198 exaflops, equivalente à capacidade de executar mais de 2 quintilhões de cálculos por segundo, superando o norte-americano El Capitan, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, que ocupava a primeira posição desde novembro de 2024.
Além da velocidade recorde, o LineShine chama a atenção por utilizar exclusivamente chips desenvolvidos na China, dispensando o uso de GPUs avançadas da Nvidia. O feito é visto por especialistas como uma demonstração da crescente independência tecnológica chinesa em um dos setores mais estratégicos da economia global.
Pesquisadores do Instituto de Conflito e Cooperação Global da Universidade da Califórnia avaliam que o novo supercomputador reforça a estratégia de Pequim de construir infraestrutura computacional de ponta sem depender de tecnologias estrangeiras, mesmo diante das restrições impostas pelos Estados Unidos ao acesso a semicondutores de última geração.
O anúncio ocorre em um momento de forte disputa tecnológica entre as duas maiores economias do mundo. Um dia antes da divulgação do ranking, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva voltada ao fortalecimento da computação quântica, ampliando a competição entre Washington e Pequim pelo protagonismo na próxima geração de tecnologias avançadas.
Com a liderança recuperada, a China reforça sua posição na corrida global pela supremacia em inteligência artificial, pesquisa científica e processamento de dados em larga escala, áreas consideradas decisivas para o desenvolvimento econômico e estratégico nas próximas décadas.


