A tragédia provocada pelos dois violentos terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) continua se agravando. Segundo as informações mais recentes divulgadas por autoridades venezuelanas e acompanhadas por órgãos norte-americanos, o número oficial de vítimas fatais chegou a 188 mortos, enquanto 1.520 pessoas ficaram feridas.
Há ainda 157 desaparecidos oficialmente registrados, além de mais de 200 pessoas que permanecem soterradas sob os escombros de edifícios destruídos, principalmente no estado de La Guaira, considerado o epicentro da devastação. Especialistas alertam que o total de mortos poderá aumentar significativamente nas próximas horas à medida que as equipes de busca consigam acessar áreas ainda isoladas.
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas 39 segundos de intervalo e foram classificados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) como um dos eventos sísmicos mais destrutivos da história recente da América do Sul. A agência norte-americana avalia que a dimensão da tragédia poderá ser muito maior, considerando centenas de pessoas ainda desaparecidas e milhares de imóveis danificados ou completamente destruídos.
A região metropolitana de Caracas e o estado de La Guaira concentram os maiores prejuízos. Hospitais operam acima da capacidade, centenas de prédios desabaram parcialmente ou por completo, rodovias permanecem interditadas e milhares de famílias passaram mais uma noite em abrigos improvisados devido ao risco de novos tremores. Até o momento, mais de uma centena de réplicas já foram registradas, mantendo a população em permanente estado de alerta.
Ajuda humanitária internacional
Diversos países anunciaram apoio imediato ao governo venezuelano para enfrentar a maior catástrofe natural da história recente do país.
Os Estados Unidos lideram a resposta internacional, anunciando um pacote emergencial de aproximadamente US$ 150 milhões, além do envio de equipes especializadas em busca e salvamento urbano, apoio logístico militar, imagens de satélite e equipamentos para localização de vítimas soterradas.
Também confirmaram ajuda humanitária:
- México – envio de militares especializados, cães farejadores, equipamentos pesados e suprimentos médicos;
- Colômbia – equipes de resgate, ambulâncias e equipamentos para remoção de escombros;
- El Salvador – cerca de 300 socorristas e dezenas de toneladas de medicamentos e materiais hospitalares;
- Equador – equipes médicas e ajuda humanitária;
- Panamá – apoio logístico e transporte de suprimentos;
- França, Espanha e Itália – envio de especialistas em busca e salvamento, hospitais de campanha e medicamentos;
- Turquia – anunciou assistência humanitária adicional e cooperação nas operações de emergência;
- Organização das Nações Unidas (ONU) – coordena o envio de equipes internacionais de resgate e ajuda humanitária de emergência;
- World Central Kitchen – iniciou a distribuição de refeições para os desabrigados e anunciou recursos extras para ampliar a operação humanitária.
- Brasil – O governo brasileiro também anunciou que irá ajudar o país vizinho, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto isso, as autoridades venezuelanas mantêm as operações de busca durante 24 horas por dia. Escavadeiras, drones, sensores térmicos e cães farejadores continuam sendo utilizados na tentativa de localizar sobreviventes sob os escombros. Especialistas afirmam que as próximas 48 horas serão decisivas para aumentar as chances de resgatar pessoas ainda com vida.
O desastre também representa um enorme desafio humanitário para a Venezuela, que já enfrentava uma grave crise econômica e social antes dos terremotos. Segundo estimativas das Nações Unidas, cerca de oito milhões de venezuelanos já dependiam de algum tipo de assistência humanitária antes da ocorrência do desastre natural.


