O preço do ouro atingiu novos patamares históricos no mercado internacional nesta quarta-feira (28), com a onça troy sendo negociada próxima a US$ 5.280 e chegando a alcançar US$ 5.326. Essa valorização expressiva, que já ultrapassou os 90% nos últimos 12 meses e cerca de 22% apenas em 2026, reflete um interesse crescente no metal precioso como porto seguro em meio a um cenário global de incertezas.
Especialistas apontam que a escalada do ouro, que começou a ganhar força a partir de janeiro de 2025, quando Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos, está intrinsecamente ligada às políticas econômicas e à instabilidade geopolítica geradas por sua gestão. Tarifas comerciais, protecionismo e declarações assertivas em relação a outros países criaram um ambiente de desconfiança global, impulsionando a busca por ativos considerados mais seguros.
O economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, explica que o ouro e a prata são historicamente vistos como reservas de valor, capazes de preservar o poder de compra ao longo do tempo. Nesse contexto, a política de tarifas e o protecionismo de Trump são considerados os principais gatilhos para a incerteza, levando investidores a buscarem refúgio em metais preciosos. A professora Gecilda Esteves, do Ibmec-RJ, acrescenta que a cobiça de Trump pela Groenlândia e o conflito entre Ucrânia e Rússia também agravaram o cenário de turbulência, aumentando o risco geopolítico percebido pelo mercado.
Além da busca por segurança, a valorização do ouro também pode ser vista como um indicador da desconfiança em relação ao dólar. O enfraquecimento da moeda americana, refletido na queda do índice DXY, corrobora a tendência de diversificação de investimentos para além das moedas fiduciárias. No Brasil, o Banco Central tem aumentado suas reservas em ouro, que mais que dobraram em valor financeiro entre janeiro e dezembro de 2025, refletindo tanto o aumento das toneladas quanto a valorização internacional do metal.
A alta do ouro transcende a função de proteção, tornando-se também um componente de rentabilidade agressivo para os investidores em um cenário de incerteza. A busca por ativos com valor intrínseco, que não dependem diretamente de governos, ganha força, funcionando como uma apólice de seguro contra possíveis colapsos financeiros ou inflacionários. Fatores estruturais, como o elevado endividamento de países e a preocupação com a sustentabilidade de dívidas públicas, também contribuem para a diversificação de investimentos em metais preciosos. Há ainda o receio de correções em mercados de capitais, como o de inteligência artificial, o que intensifica a procura por ativos mais estáveis.


