O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, avaliou que a alta da taxa básica de juros exerceu uma influência mais significativa sobre a geração de empregos em 2025 do que as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante a apresentação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Segundo Marinho, embora as tarifas tenham tido impacto, o efeito dos juros na indústria global foi mais prejudicial. Ele explicou que as sobretaxas americanas afetaram setores específicos e foram parcialmente compensadas por ações governamentais, como a busca por novos mercados e planos de auxílio às empresas atingidas. Em contrapartida, a Taxa Selic, que se manteve em 15% ao ano, teria um alcance mais amplo sobre investimentos e o ritmo de contratações.
O ministro criticou a política monetária, relacionando a desaceleração do mercado de trabalho ao aumento dos juros. Ele apontou que a estratégia do Banco Central de conter o crescimento pode levar a um aumento dos gastos com juros, prejudicando o orçamento.
Marinho observou que os números preliminares de janeiro de 2026 indicam uma recuperação, mas alertou que a persistência de juros elevados pode comprometer o desempenho do ano. Ele ressaltou que, com juros altos, é natural que os investidores adiem suas decisões de investimento.
Em 2025, o Brasil registrou a criação de 1,279 milhão de vagas formais, uma queda de 23,73% em comparação com 2024, quando foram abertas aproximadamente 1,677 milhão de vagas. Este resultado representa o pior desempenho desde 2020, ano afetado pela pandemia. O saldo positivo de 2025 foi composto por 26,6 milhões de admissões e 25,3 milhões de desligamentos. Em dezembro, o mercado de trabalho apresentou um saldo líquido de 618 mil vagas, um número considerado dentro do padrão histórico para o mês, influenciado pelo encerramento de contratos temporários e ajustes de custos pelas empresas.


