O consumo de café no Brasil registrou uma queda de 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). O volume consumido passou de 21,9 milhões de sacas de 60 kg para 21,4 milhões no período analisado. Essa retração é atribuída diretamente à alta nos preços da bebida, que encareceu 5,8% para o consumidor final. Nos últimos cinco anos, a matéria-prima do café acumulou aumentos expressivos: 201% para o conilon e 212% para o arábica, enquanto no varejo, o café subiu 116%.
Segundo Pavel Cardoso, presidente da Abic, os aumentos de preço em 2025 foram reflexo de problemas climáticos que impactaram safras anteriores e resultaram em baixos estoques globais. “Desde 2021 houve um descasamento nessa cadeia global de oferta e demanda. Em 2021 tivemos problemas climáticos sucessivos, trazendo frustrações com o tamanho da safra”, explicou Cardoso. Apesar da queda no consumo, a Abic considera o resultado positivo, destacando a resiliência do café para o paladar brasileiro.
Cardoso ressaltou que, mesmo com a leve redução, o consumo brasileiro se manteve forte ao longo dos anos de alta nos preços. “O brasileiro não abre mão do café”, afirmou. A queda de 2,31% é vista como uma notícia positiva diante do cenário de aumentos de mais de 200% na matéria-prima e 116% no varejo nos últimos cinco anos.
O Brasil se consolida como o segundo maior consumidor mundial de café, atrás apenas dos Estados Unidos. No consumo per capita, o país lidera, com uma média de 1,4 mil xícaras por brasileiro anualmente. Mesmo com a queda no volume, o faturamento da indústria de café cresceu 25,6% em 2025, totalizando R$ 46,24 bilhões, impulsionado principalmente pelo aumento do preço nas prateleiras.
Para 2026, a Abic prevê um cenário de maior estabilidade nos preços, com a expectativa de uma safra robusta. No entanto, uma queda significativa no preço para o consumidor só é esperada daqui a duas safras, devido aos baixos estoques globais. A indústria aposta em promoções para estimular o consumo nesse período. “Os estoques globais nos países produtores para os consumidores são historicamente baixos”, pontuou Cardoso.
A cadeia produtiva do café também continua a negociar a reversão da tarifa de 40% imposta pelos Estados Unidos ao café solúvel, que permanece em vigor mesmo após a suspensão da taxa sobre o café em grão. A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia é vista com otimismo, abrindo novas perspectivas para o setor cafeeiro brasileiro, que domina 40% da produção mundial.


