O governo federal brasileiro deu um passo significativo para redefinir o comércio e a integração regional com a oficialização do Programa Rotas de Integração Sul-Americana. A iniciativa visa diminuir o tempo e os custos associados ao transporte de mercadorias não apenas entre o Brasil e seus vizinhos sul-americanos, mas também com destinos na Ásia.
A proposta central do programa é fomentar ações que unifiquem infraestruturas em diversas esferas: física, digital, social, ambiental e cultural, conectando os países do continente. A portaria que estabelece o programa, assinada pela ministra Simone Tebet e publicada no Diário Oficial da União, detalha cinco rotas de integração estratégicas.
Este plano ambicioso prevê a realização de estudos técnicos e pesquisas aprofundadas em áreas cruciais como a multimodalidade de transportes, a expansão da conectividade digital e energética, o fortalecimento da unidade geoeconômica, o desenvolvimento de corredores bioceânicos e a análise de perspectivas fronteiriças e não fronteiriças dentro do território nacional.
As cinco rotas estratégicas foram definidas a partir de consultas com os 11 estados brasileiros que compartilham fronteiras com países sul-americanos. São elas: Ilha das Guianas, conectando o Norte do Brasil com Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela; a rota Amazônica, ligando o Norte do país à Colômbia, Equador e Peru; o Quadrante Rondon, que abrange Norte e Centro-Oeste brasileiros com Peru, Bolívia e Chile; a Bioceânica de Capricórnio, integrando Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil com Paraguai, Argentina e Chile; e a Bioceânica do Sul, focada no Sul do Brasil com Uruguai, Argentina e Chile.
O desenvolvimento dessas rotas é um reflexo direto da agenda de integração regional definida por líderes sul-americanos em 2023. O governo brasileiro reconhece que, historicamente, o país priorizou o comércio com a Europa e os Estados Unidos através do Atlântico. No entanto, as mudanças econômicas recentes, com o crescimento da produção nos estados do Centro-Oeste e Norte e o aumento do comércio com a Ásia, tornaram a realinhamento dessas rotas comerciais uma necessidade estratégica.


