A tradicional corrida de última hora por presentes de Natal transformou o centro comercial popular do Rio de Janeiro em um verdadeiro formigueiro nesta antevéspera da celebração. Milhares de consumidores lotaram as ruas da Saara (Sociedade de Amigos da Rua da Alfândega e Adjacências) em busca de variedade e, principalmente, preços que coubessem no bolso.

Considerado o maior shopping a céu aberto da capital fluminense, com mais de 800 lojas, a Saara se destaca pela diversidade de produtos, abrangendo desde joias e moda praia até decoração e brinquedos. Essa variedade é um chamariz para quem precisa presentear muitas pessoas com orçamento limitado. Heriton Lopes, de 58 anos, que buscava mimos para filhas e netos, confirmou a estratégia: “Aqui dá para comprar para todo mundo,” disse ele, após garantir macacões, bermudas e camisetas.

O movimento intenso reflete o clássico comportamento do consumidor brasileiro, que deixa as compras para o final, mas também a necessidade de pechinchar. Simone Reis Rodrigues, auxiliar de crédito de 44 anos, passou horas buscando uma bola de futebol para o filho Benjamin, de 11. “Papai Noel está mais magrinho, estamos pechinchando,” brincou, ilustrando o esforço para fazer o dinheiro render neste período.

O clima de festividade e a busca por sorte também permeiam a região, com a estudante de moda Graziele Soares, de 22 anos, mantendo a tradição familiar comprando a clássica calcinha amarela para atrair prosperidade no Ano Novo. Enquanto isso, o Papai Noel Eduardo Cintra, que atraía clientes em uma loja de cosméticos, confirmava o aquecimento das vendas: “Papai Noel está bondoso, pessoal está enchendo a sacola, de cinco a dez pacotes de perfume!”.

Apesar da intensa movimentação nas ruas, dados econômicos recentes revelam um cenário de preços mistos. Segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), a inflação geral dos itens natalinos registrou uma leve alta de 0,1% em comparação com o ano anterior, mas essa média esconde variações significativas entre presentes e alimentos.

Para quem busca presentes, a cesta apresentou crescimento de preços, impulsionada principalmente pela alta em vestuário masculino e produtos de saúde e beleza. Por outro lado, itens como eletrônicos e calçados infantis registraram queda, com os sapatos para crianças caindo cerca de 6% no preço médio. Analistas da FGV Ibre atribuem o aumento na cesta de presentes a um consumo mais aquecido, refletindo a melhora no mercado de trabalho.

A boa notícia é para quem ainda não garantiu os ingredientes da ceia: o custo total do jantar de Natal está mais acessível. Houve queda nos preços de itens básicos como azeite, arroz e batata. Contudo, o consumidor deve preparar o bolso para as proteínas: carnes bovinas, pernil e lombo tiveram aumentos médios entre 7% e 9%. O bacalhau, produto importado com alta demanda sazonal, sofreu o impacto mais duro, com preço elevado em até 20% devido ao câmbio alto e custos logísticos.