O programa Eco Invest Brasil registrou um marco histórico em seu terceiro leilão, atraindo um volume expressivo de R$ 80 bilhões em potenciais investimentos no setor de equity. Deste montante, R$ 24 bilhões são provenientes de recursos públicos, evidenciando um forte interesse em projetos voltados para a transição ecológica e a economia verde no país.
O leilão, divulgado nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional, homologou R$ 15 bilhões em capital público, que têm o potencial de destravar aproximadamente R$ 53 bilhões em investimentos privados. Uma parcela significativa, superior a R$ 11 bilhões, será direcionada ao fomento de startups e pequenas e médias empresas (PMEs), com foco em inovação, sustentabilidade e crescimento de longo prazo.
Criado em 2024, o Eco Invest Brasil visa estimular o investimento privado em iniciativas sustentáveis e atrair capital estrangeiro para projetos estratégicos da transição ecológica. O programa se destaca por oferecer instrumentos financeiros inovadores, como proteção cambial parcial, e por apoiar uma gama diversificada de projetos, incluindo indústria verde, recuperação de biomas, infraestrutura climática e desenvolvimento tecnológico.
Dados da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) revelam que os recursos homologados neste leilão, em um período de 12 meses, representam 32,5% de todo o investimento registrado no setor no Brasil entre outubro de 2024 e setembro de 2025. Isso demonstra a relevância do programa no cenário nacional de investimentos verdes.
Seis instituições financeiras tiveram propostas vencedoras nesta edição. O Itaú liderou a lista, respondendo por cerca de 50% do volume homologado, o equivalente a quase R$ 30 bilhões. Outras instituições participantes incluem a Caixa Econômica Federal, com R$ 9 bilhões, além de Bradesco, HSBC, BNDES e Banco do Brasil.
A maior parte dos recursos aprovados, 64,5%, será destinada a projetos de Transição Energética. A Bioeconomia respondeu por 16% das propostas, seguida pela Infraestrutura Verde para Adaptação (10,4%) e Economia Circular (9,1%), alinhando-se às metas do Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima destacou que o Eco Invest já ultrapassou R$ 127 bilhões em potencial de mobilização de recursos, sinalizando um interesse crescente do setor privado por empreendimentos sustentáveis. Setores estratégicos como combustível sustentável de aviação (SAF), com R$ 12,2 bilhões indicados, e cadeias de baterias e veículos elétricos, somando R$ 9,3 bilhões, foram priorizados para posicionar o Brasil competitivamente na economia verde global.
Coordenado pelos Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente, com o suporte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Unido, o Eco Invest Brasil consolida-se como o principal programa de finanças verdes do país. As instituições financeiras vencedoras terão prazos de até 24 meses para captar capital externo e 60 meses para realizar os aportes nos projetos selecionados.
O termo ‘equity’ refere-se à participação societária em empresas, onde o investidor se torna sócio e aposta no crescimento do negócio, em vez de receber juros. No Eco Invest Brasil, esse modelo é aplicado a startups e empresas em expansão na economia verde, utilizando capital catalítico público para mitigar riscos e atrair investimentos privados.

