Os Estados Unidos impuseram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, elevando o potencial tributário sobre parte das exportações do Brasil para o mercado americano para até 37,5%. A medida, que entra em vigor nesta sexta-feira (24), substitui uma taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro e se soma a uma sobretaxa de 25% já existente.
A justificativa apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) é a alegada falta de mecanismos eficazes no Brasil para coibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Segundo o USTR, o Brasil faz parte de um grupo de 54 países que não proíbem ou fiscalizam adequadamente a entrada desses produtos, o que, na visão americana, gera uma vantagem competitiva indevida para empresas que se beneficiam de custos de produção mais baixos.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, declarou que essa prática prejudica empresas e trabalhadores americanos, forçando uma concorrência desigual. O relatório do USTR aponta que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em segmentos como alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco. Embora o Brasil possua acordos internacionais e a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, os EUA consideram que os mecanismos de controle são insuficientes.
A investigação do USTR abrangeu 60 parceiros comerciais. Além do Brasil, outros 53 países foram taxados em 12,5%, incluindo China, Argentina, Japão e Índia. Canadá, México e a União Europeia, entre outros, receberão uma tarifa adicional de 10%, por já possuírem controles legais, ainda que considerados insuficientes pelos americanos.
Esta nova tarifa se adiciona a uma anterior de 25% sobre exportações brasileiras, decorrente de outra investigação que citou práticas comerciais consideradas desleais, como acesso ao mercado de etanol e questões de propriedade intelectual. A decisão americana gerou contestações por parte do governo brasileiro, que defende possuir legislação e mecanismos adequados para combater o trabalho forçado. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que sanções seriam desproporcionais e que o Brasil coopera internacionalmente para impedir a circulação de produtos feitos em condições análogas à escravidão. Em resposta, o governo brasileiro mantém medidas de apoio às empresas exportadoras afetadas, como linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados.


