Duas cientistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foram selecionadas para integrar o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um órgão fundamental da Organização das Nações Unidas (ONU). Elas atuarão como autoras no 7º Ciclo de Avaliação do IPCC, juntando-se a um grupo restrito de 664 especialistas de 111 países.

O Brasil conta com 18 pesquisadores neste novo ciclo do IPCC, e a Uerj se destaca por ser a única instituição brasileira a ter duas mulheres neste painel. Essa participação ressalta a excelência científica da universidade e a importância crescente da representatividade feminina na definição de políticas globais baseadas em evidências científicas.

O relatório do IPCC é uma das referências internacionais mais importantes sobre a crise climática, servindo de base para decisões governamentais e acordos internacionais. O painel analisa os mais recentes conhecimentos científicos sobre os indicadores físicos das mudanças climáticas, seus impactos, riscos e as estratégias de adaptação e mitigação.

Os três grupos de trabalho do IPCC cobrem as principais dimensões das mudanças climáticas: o Grupo 1 foca nas bases físicas do clima; o Grupo 2 aborda os impactos, vulnerabilidades e adaptação; e o Grupo 3 concentra-se na mitigação de gases de efeito estufa. O 7º Ciclo de Avaliação tem conclusão prevista para 2028 com o Relatório Síntese.

As professoras Letícia Cotrim e Luciana Prado, ambas da Faculdade de Oceanografia da Uerj, foram escolhidas para o Grupo de Trabalho 1. Letícia Cotrim, especialista em Oceanografia Química, atua como autora-coordenadora do capítulo sobre avanços na compreensão dos processos do sistema terrestre e suas mudanças climáticas. Luciana Prado, da Oceanografia Física e Meteorologia, integrará o capítulo que descreve as mudanças climáticas observadas globalmente, com foco em paleoclimatologia para aprimorar projeções futuras.

A primeira reunião dos autores do 7º Ciclo ocorreu em dezembro, em Paris. O próximo encontro está agendado para abril de 2026, em Santiago, no Chile. A elaboração dos relatórios do IPCC envolve extensas revisões por cientistas e governos antes da aprovação final, garantindo a robustez científica das recomendações.