A Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) mantém uma folha de pagamento que ultrapassa R$ 17 milhões mensais, com cargos ocupados por servidores que exercem simultaneamente outras atividades profissionais, incluindo um juiz ligado à CBF, um pastor evangélico e um dentista, segundo levantamento divulgado pela imprensa nacional.

Os dados revelam um cenário de acúmulo de funções, altos salários e fragilidade nos mecanismos de controle, levantando questionamentos sobre a legalidade e a moralidade administrativa na Casa Legislativa estadual.

Juiz da CBF consta como servidor da Assembleia

Entre os nomes identificados está o de um árbitro vinculado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que aparece na folha de pagamento da Assembleia ocupando cargo comissionado. O acúmulo de funções chama atenção, já que a atuação como árbitro exige dedicação constante a competições nacionais.

Apesar disso, não há transparência suficiente sobre a carga horária cumprida pelo servidor no Legislativo estadual, o que reforça críticas sobre a fiscalização interna da ALE-RR.

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Pastor e dentista também integram a folha

Além do juiz esportivo, a lista de servidores inclui um pastor evangélico e um dentista, ambos com vínculos ativos na Assembleia. Os casos reforçam suspeitas de que parte dos cargos comissionados pode estar sendo utilizada como forma de apadrinhamento político, prática recorrente em denúncias envolvendo casas legislativas pelo país.

Especialistas em administração pública alertam que o problema não está necessariamente na profissão dos servidores, mas na possível incompatibilidade de horários e na ausência de comprovação de efetivo exercício das funções públicas.

Crescimento de cargos e despesas

Levantamentos mostram que o número de cargos comissionados na Assembleia de Roraima cresceu de forma significativa nos últimos anos, impulsionando o aumento das despesas com pessoal. O cenário contrasta com a realidade econômica do estado, que enfrenta dificuldades em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.

Mesmo diante de críticas e questionamentos, a Assembleia sustenta que todos os servidores cumprem suas atribuições conforme a legislação vigente.

Transparência sob questionamento

Organizações de controle social e especialistas em contas públicas defendem maior transparência, auditorias independentes e revisão da estrutura administrativa da ALE-RR. Para eles, a divulgação clara das funções exercidas, da jornada de trabalho e dos critérios de nomeação é fundamental para garantir o uso correto do dinheiro público.

O caso reacende o debate sobre o inchaço das estruturas legislativas estaduais e o uso excessivo de cargos comissionados no Brasil.

Fonte: UOL