A expectativa do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi ligeiramente ajustada para cima. Para este ano, a projeção subiu de 5,3% para 5,33%, conforme aponta o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central. Esta é a décima quinta semana consecutiva de elevação na previsão para o IPCA anual, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%.

A inflação acumulada em 12 meses, que em maio registrou 4,72% segundo o IBGE, já se encontra fora do intervalo da meta. O aumento de preços de alimentos em maio contribuiu para o índice mensal de 0,58%.

Para os anos seguintes, as projeções também foram atualizadas. A estimativa de inflação para 2027 subiu de 4,1% para 4,15%. Para 2028 e 2029, as previsões indicam 3,7% e 3,5%, respectivamente.

No que diz respeito à taxa básica de juros, a Selic, o mercado elevou a projeção para o final de 2026. A estimativa agora é de 14% ao ano, um aumento em relação aos 13,75% anteriormente previstos. A Selic encontra-se atualmente em 14,25% ao ano, após recentes cortes pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Apesar das reduções, tensões geopolíticas e seus reflexos em preços de commodities têm dificultado uma queda mais acentuada dos juros.

O Copom tem monitorado de perto as incertezas globais, especialmente as relacionadas a conflitos no Oriente Médio, e os dados econômicos domésticos para definir o ritmo de seus ajustes. A expectativa para os próximos anos é de continuidade na redução da Selic, com projeções de 12% em 2027 e 10,25% em 2028, encerrando 2029 em 10%.

O comportamento da taxa Selic impacta diretamente o custo do crédito e a atividade econômica. Juros altos encarecem o crédito, desestimulando o consumo e o investimento, enquanto juros baixos tendem a baratear o crédito, impulsionando a produção e o consumo.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento para este ano foi revisada de 1,96% para 1,98%. As projeções para 2027, 2028 e 2029 se mantêm em 1,7%, 2% e 2%, respectivamente. Quanto ao câmbio, a projeção para o dólar ao final deste ano está em R$ 5,20, com expectativa de R$ 5,27 para o fim de 2027.